Motor de DecisãoGuia dos indicadores

Referência técnica e de uso

Indicadores do Motor de Decisão Pecuária

Este guia explica o que informar, como o Motor interpreta cada dado e qual decisão o indicador ajuda a sustentar. As fórmulas do Motor não foram alteradas por esta reorganização.

Como usar a análise

  1. Preencha as cinco etapas.Use cotações, históricos e documentos compatíveis com o lote.
  2. Selecione “Analisar cenário”.O Motor só calcula quando você solicita.
  3. Corrija o primeiro critério não atendido.A tela indica a ação e leva ao campo prioritário.
  4. Selecione “Atualizar análise”.Até isso acontecer, o resultado anterior fica identificado como desatualizado.
  5. Salve quando fizer sentido.Salvar os dados e atualizar a análise são ações independentes.

Etapa 1

Lote e objetivo

CampoO que informarComo ajuda na decisão
Objetivo do cicloRecria, engorda, terminação ou combinação.Identifica a finalidade operacional do cenário.
SexoMacho ou fêmea.Orienta regras produtivas e, na venda por carcaça, o eventual ajuste comercial da fêmea.
Raça ou grupo genéticoGrupo que melhor representa o lote.Registra uma premissa para validar GMD, rendimento e qualidade; não altera sozinho o cálculo.
Quantidade de cabeçasNúmero de animais do lote.Dimensiona capital, dieta, água e ocupação da área.
Forma de informar o peso de entradaPor cabeça, kg vivo ou arroba de peso vivo.Define a unidade do preço de compra e evita misturar arroba viva com arroba de carcaça.
Peso mínimo, médio e máximoPesos em kg; mínimo e máximo são opcionais.O médio alimenta a análise-base; os extremos ajudam a formar os cenários adverso e favorável.
GMD esperadoGanho médio diário em kg por cabeça por dia.Projeta o peso final e mostra se a meta cabe no prazo.
Rendimento de carcaçaPercentual do peso vivo convertido em carcaça.Converte kg vivo em arrobas de carcaça. Uma premissa otimista superestima a produção e a receita.
Data de início do cicloDia previsto para entrada do lote.Organiza o fim operacional e os eventos de caixa.
Prazo do cicloDuração em dias.Define ganho acumulado, consumo, custos diários e data-padrão de recebimento.

Etapa 2

Meta e venda

CampoO que informarComo ajuda na decisão
Tipo de metaPeso vivo em kg ou arrobas de carcaça.Define a unidade da meta e a base comercial da venda.
Meta de saídaPeso ou arrobas desejadas no fim do ciclo.Permite calcular o GMD necessário, os dias necessários e a folga ou o déficit técnico.
Base comercialGerada automaticamente a partir do tipo de meta.Evita aplicar preço por kg a uma receita em arrobas, ou o inverso.
Preço de vendaR$/kg vivo ou R$/arroba de carcaça, conforme a base.Determina receita, margem e comparação com o preço mínimo necessário.
Data prevista de recebimentoData em que o dinheiro da venda entra no caixa.Posiciona a receita em relação às parcelas do financiamento.
Fator comercial da fêmeaPercentual da referência realmente negociado.Transforma a cotação de referência em preço efetivo; deve refletir proposta real sempre que possível.

Etapa 3

Custos e capital

Regra prática de unidade: “R$/cab” é lançado uma vez por animal; “R$/cab/d” ocorre todos os dias do ciclo; percentuais de perdas e mortalidade se referem ao ciclo informado, não a uma taxa diária.

Bloqueio contra inferências financeiras: o Motor interrompe a análise enquanto as premissas financeiras não forem revisadas e confirmadas por uma pessoa. Campos vazios são exibidos como lacunas; valor zero só deve ser confirmado quando representar ausência real de custo, aporte ou taxa. Qualquer alteração financeira posterior invalida a confirmação e exige nova revisão humana.

CampoUnidade / períodoUso no Motor
Preço de compraR$/cabeça, R$/kg vivo ou R$/@ vivaCalcula o valor de aquisição segundo a base escolhida na etapa 1.
Frete, recepção e sanidadeR$/cabeça, uma vez na entradaCompõem o desembolso inicial do lote.
Custos na compra% sobre a aquisiçãoIncluem comissão e despesas percentuais de entrada.
Consumo da dieta ou suplementokg/cabeça/dia, matéria natural fornecidaDimensiona volume e custo ao longo do prazo.
Preço da dieta ou suplementoR$/kg fornecidoÉ comparado ao preço máximo que preserva a margem desejada.
Perdas ou recusa% da dieta fornecida no cicloAumentam a quantidade que precisa ser comprada para entregar o consumo previsto.
Mortalidade estimada% do lote durante todo o cicloReduz o número esperado de animais vendidos e afeta a margem do lote.
Outros custos diáriosR$/cabeça/diaCobrem despesas recorrentes não representadas nos demais campos.
Custos na venda% da receitaDescontam comissões e despesas percentuais de saída.
Margem desejada por cabeçaR$/cabeça no cicloDefine o resultado econômico pretendido e o preço mínimo de venda com essa margem.
Capital próprio disponívelR$ disponíveis para o projetoÉ comparado à necessidade máxima de caixa; crédito líquido é tratado separadamente.
Reserva para imprevistos% do capital necessárioAdiciona folga financeira antes de liberar o lote.
Custo de oportunidade% ao anoCompara o capital imobilizado com outra alternativa de uso do dinheiro.

Etapa 4

Financiamento: lógica completa

1Crédito líquido

Valor contratado menos tarifas informadas entra no caixa na data de liberação.

2Fluxo da dívida

O Motor posiciona juros, amortizações e vencimentos conforme Parcela única, SAC ou Price.

3Caixa próprio

A análise encontra o maior déficit acumulado antes da venda e mostra o aporte próprio máximo necessário.

4Resultado econômico

Juros e tarifas reduzem o resultado. O principal movimenta caixa e dívida, mas não é tratado como lucro ou custo operacional.

CampoInterpretaçãoDecisão apoiada
Valor bruto contratadoPrincipal nominal da operação.Ver se o crédito cobre a lacuna sem financiar além do necessário.
Data da liberaçãoDia em que o crédito fica disponível.Detectar falta de caixa antes da entrada do recurso.
Taxa efetivaCusto anual efetivo usado no cronograma.Comparar custo do crédito com a margem operacional.
Prazo totalDuração contratual em meses.Ver quanto da dívida permanece após a venda.
Sistema de amortizaçãoParcela única, SAC ou Price.Entender distribuição de principal, juros e pressão de caixa.
Periodicidade e carênciaIntervalo entre parcelas e período inicial sem amortização do principal.Alinhar vencimentos com a geração de caixa.
Tarifas e despesasCustos monetários cobrados na contratação.Identificar diferença entre valor bruto e recurso líquido.
Permissão de reutilizaçãoCondição contratual declarada.Evitar interpretar capacidade temporal como autorização real para girar o recurso em novos lotes.

Sem presunção contratual: quando houver financiamento, “ainda não verificado” é uma lacuna bloqueante. A análise só prossegue após declaração humana de “sim” ou “não” para a permissão de manter ou reutilizar o recurso.

Caixa até o recebimento é um bloqueio separado e obrigatório: ordena crédito, compra, reserva, despesas e parcelas pelas datas informadas. Compara o maior aporte próprio exigido com o capital próprio disponível. Déficit anterior à liberação bloqueia o cenário mesmo com lucro ou fontes totais suficientes. Crédito disponível no dia do desembolso entra antes da saída; confirme essa disponibilidade no contrato.

Referências de mercado: cotações sem data válida, com data impossível ou futura não podem ser aplicadas. Manter cotação antiga não dispensa data válida. Sem vencimento futuro compatível com a saída, informe preço manual ou revise o período; nenhum contrato anterior é escolhido como substituto automático.

Caixa suficiente não garante viabilidade.

Mesmo que o crédito cubra os desembolsos, juros e tarifas podem tornar o resultado negativo.

Lucro positivo não garante caixa suficiente.

Um cenário rentável pode exigir aporte antes da venda se a liberação e os vencimentos estiverem desalinhados.

Prazo comportar ciclos não autoriza reutilização.

Use a projeção de giro somente depois de validar finalidade, garantias e obrigações contratuais.

Como o Motor classifica o risco do financiamento

A ausência de aporte próprio não torna o cenário limítrofe por si só. A classificação combina cobertura do fluxo, cobertura da dívida e sensibilidade econômica. O pior resultado entre os três determina a situação do critério.

Cobertura do fluxo = fontes totais disponíveis ÷ capital recomendado com reserva Cobertura da dívida = caixa operacional projetado até o vencimento ÷ principal, juros e tarifas exigíveis
IndicadorAtendidoNo limiteNão atendido
Cobertura do fluxoIgual ou superior a 1,10xDe 1,00x até menos de 1,10xInferior a 1,00x
Cobertura da dívida — SAC/PriceIgual ou superior a 1,20xDe 1,00x até menos de 1,20xInferior a 1,00x
Cobertura da dívida — parcela únicaIgual ou superior a 1,25xDe 1,00x até menos de 1,25xInferior a 1,00x
Cenário adverso combinadoResultado não negativoPerda de até 5% do capital do lotePerda superior a 5% do capital do lote

Premissas do cenário adverso combinado

O teste reduz o preço de venda em 5%, aumenta o preço da dieta em 10%, reduz o GMD em 10%, acrescenta 1 ponto percentual à mortalidade e prolonga o ciclo em 15 dias. Ele não substitui uma simulação específica para a realidade do produtor.

Leitura correta: capital próprio igual a zero pode ser eficiente quando o crédito cobre o ciclo e o caixa, a dívida cabe no vencimento e a atividade continua economicamente resistente. O alerta deve apontar a insuficiência concreta — fluxo, vencimento ou sensibilidade — e não recomendar aporte próprio automaticamente.

Etapa 5

Estrutura e dimensionamento de água

SistemaCampos específicosLeitura
Extensivo a pastoÁrea do piquete e capacidade de suporte.Compara a lotação equivalente do lote com o suporte informado.
Semi-intensivoMatéria seca, área, suporte, estoque da dieta em kg ou t e espaço de cocho.Combina capacidade da pastagem com logística de suplementação.
Intensivo (Pasto/Silo-Cocho/TIP)Matéria seca, silo-cocho em kg ou t, reserva, área, suporte e espaço de cocho.Dimensiona cargas, autonomia com reserva e lotação do piquete.
ConfinamentoMatéria seca, estoque em kg ou t, cocho, área por cabeça e tratos por dia.Expõe os parâmetros físicos e a rotina programada, sem inventar um limite técnico universal.

Capacidade de suporte informada

É a lotação que a pastagem consegue sustentar na área e no período avaliados, em UA/ha. O Motor considera 1 UA = 450 kg de peso vivo. Use diagnóstico agronômico ou zootécnico, histórico do mesmo período e margem para variação climática. Se a lotação projetada superar o suporte, ajuste quantidade de cabeças, área ou uma premissa tecnicamente comprovada.

Água no pico

O parâmetro padrão em análise é 12,5% do peso vivo por dia. O Motor aplica esse percentual ao peso final projetado, primeiro por cabeça e depois ao lote. A saída é uma referência conservadora de dimensionamento, não uma medição do consumo real.

Como decidir: confirme vazão, armazenamento e redundância acima do pico calculado. Clima, dieta, categoria e qualidade da água podem exigir outro parâmetro; altere o percentual somente com referência técnica adequada ao projeto.

Média e pico: a média usa o peso médio entre entrada e saída. O pico usa o maior desses pesos para o lote inteiro, dividido por 450 kg/UA e pela área. O bloqueio compara o pico ao suporte informado. Esse suporte deve representar o período crítico, inclusive a seca quando aplicável; sem dados sazonais, o Motor não estima a oferta de pasto ao longo do ano.

Unidade do estoque

A capacidade do silo-cocho e do estoque da dieta pode ser informada em quilogramas (kg) ou toneladas (t). O Motor converte internamente para toneladas, usando 1 t = 1.000 kg, sem alterar a capacidade física ao trocar a unidade.

Unidades

Kg vivo e arroba de carcaça

Arroba de peso vivo1 @ viva = 30 kg de peso vivo

Usada apenas quando a compra é cotada em arroba viva.

Arroba de carcaça1 @ de carcaça = 15 kg de carcaça

Usada na meta e na venda por carcaça.

Arrobas de carcaça = peso vivo (kg) × rendimento de carcaça ÷ 15Peso vivo equivalente = arrobas de carcaça × 15 ÷ rendimento de carcaça

Exemplo: um animal de 480 kg com rendimento de 55% produz uma carcaça projetada de 264 kg, equivalente a 17,6 arrobas de carcaça.

Como ajuda: torna a meta técnica e a base de preço comparáveis, revela o impacto do rendimento e evita o erro de tratar a arroba viva de 30 kg como arroba de carcaça de 15 kg.

Tela de resultados

O que significa “Leitura do resultado”

A leitura do resultado é a comparação, em linguagem natural, entre o valor calculado e a referência que decide cada critério. Ela não é uma nova fórmula nem um único número universal.

Valor atual

O que o cenário produz com os dados informados, como peso projetado ou preço da dieta.

Referência

A meta, o máximo econômico ou a capacidade com que o valor é comparado.

Situação e ação

Atendido, no limite, pendente ou não atendido — seguido do campo prioritário para revisar.

A margem por cabeça mostra o resultado econômico do ciclo por animal. O ROI econômico relaciona a margem do lote ao capital necessário. Use ambos: a margem responde “quanto sobra”; o ROI responde “quão eficientemente o capital foi empregado”.

Rastreabilidade

Mapa Critério → Variável → Campo

CritérioVariáveis que influenciamCampos para revisarPrimeira ação sugerida
Meta técnicaPeso de entrada, GMD, prazo, meta e rendimento.Peso médio; GMD esperado; Prazo; Meta; Rendimento.Validar o GMD esperado.
DietaPreço e consumo da dieta, perdas, prazo, venda e margem desejada.Preço da dieta; Consumo; Perdas; Prazo; Preço de venda; Margem desejada.Negociar ou reformular o preço da dieta.
VendaPreço efetivo, fator comercial, custos e margem desejada.Preço de venda; Fator da fêmea; Custos na venda; Margem desejada.Revisar a condição comercial.
CapitalCompra, custos do ciclo, contingência, tamanho do lote e crédito líquido.Capital próprio; Valor financiado; Quantidade; Reserva; custos.Ajustar a fonte de capital ou o lote.
Capacidade a pastoPeso médio do ciclo, quantidade, área e suporte.Quantidade; Área do piquete; Capacidade de suporte.Reduzir o lote ou ampliar a área antes de alterar o suporte.
ÁguaPeso final, quantidade e percentual de água.GMD; Prazo; Quantidade; Parâmetro de água; Confirmação de capacidade.Medir vazão e armazenamento acima do pico.
Fluxo do financiamentoFontes totais, capital recomendado com reserva, geração de caixa, dívida exigível e cenário adverso.Data de liberação; Valor; Prazo; Periodicidade; Carência; Reserva; Recebimento.Reforçar a cobertura específica que estiver abaixo da faixa de segurança.
Resultado após financiamentoResultado operacional, taxa, tarifas, valor e duração do crédito.Taxa efetiva; Tarifas; Valor; Prazo; premissas econômicas.Reduzir o custo financeiro ou melhorar a margem do lote.